A contabilidade brasileira entra em um ciclo de transformações que redefine não apenas a rotina técnica, mas também o papel estratégico da profissão no país. Em meio a ajustes regulatórios, mudanças estruturais e à incorporação acelerada de tecnologias como a inteligência artificial, o contador passa a ocupar uma posição cada vez mais central nas decisões das organizações.
À frente do CRCSP, a presidente Heloísa de Castro destaca que 2026 será um ano de transformar planejamento em execução concreta, com foco na ampliação da capacitação técnica, no fortalecimento do diálogo com a classe e na presença ativa do conselho em todas as regiões do estado.
Segundo ela, a categoria vive “um momento decisivo”, no qual mudanças estruturais e novas dinâmicas tecnológicas exigem atualização permanente. “Nosso papel é garantir que os profissionais tenham orientação, acesso a conhecimento qualificado e segurança para atuar com confiança nesse cenário. Mais do que acompanhar as transformações, queremos estimular a classe contábil a ocupar posição de protagonismo perante a sociedade”, afirma.
Para Castro, dois temas se destacam entre os que mais impactam o exercício profissional neste momento: a Reforma Tributária e a inteligência artificial. Ela avalia que a nova estrutura tributária demandará interpretação técnica consistente, além de atualização contínua para acompanhar as mudanças. Paralelamente, ferramentas de IA ampliam a velocidade de processamento e o cruzamento de dados, elevando também a responsabilidade técnica dos profissionais.
“A inteligência artificial deve ser vista como ferramenta de apoio à produtividade e à análise, mas a decisão e a responsabilidade continuam sendo do profissional da contabilidade”, ressalta a presidente. Para ela, aqueles que enxergarem essa transição como oportunidade terão condições de ampliar sua relevância e consolidar um papel mais estratégico na orientação de empresas e organizações.
Diante de tantos desafios legais, tecnológicos e de mercado, Castro reforça que a preparação precisa ir além da qualificação técnica. Para ela, o caminho passa por três pilares: disciplina, atualização constante e postura estratégica. “O ambiente regulatório evolui rapidamente e a tecnologia redefine a forma de trabalho com grande intensidade”, observa.
A combinação entre conhecimento técnico atualizado, análise crítica e conduta ética torna o profissional não apenas executor de tarefas, mas uma referência estratégica para clientes e empresas. A presidente avalia que a contabilidade vive uma fase de consolidação de seu papel estratégico, ampliando sua relevância em decisões corporativas e institucionais. “Estamos em uma fase de fortalecimento da profissão. Aqueles que se prepararem com consistência estarão melhor posicionados para transformar desafios em oportunidades”, conclui.
Parceria com o IPC fortalece o desenvolvimento profissional
A integração entre as entidades da área contábil é outro fator que, segundo Castro, fortalece o desenvolvimento profissional. Heloísa destaca o papel do IPC como parceiro em ações de formação, relacionamento e troca de experiências.
Iniciativas como o Conecta Talentos, do IPC, são citadas como exemplos de projetos que estimulam networking qualificado e aproximam profissionais em um ambiente favorável ao desenvolvimento. “Em um cenário de constantes mudanças, a cooperação institucional torna-se ainda mais estratégica. Quando as entidades atuam de forma alinhada, o suporte ao profissional torna-se mais amplo e efetivo”, finaliza.




